OK
Close

Fechamentos afetam os mais pobres, diz federação

Cidades

JOÃO CONRADO KNEIPP REGIÃO | 15/07/2017-20:49:15 Atualizado em 15/07/2017-20:49:08

Na avaliação da diretora da Fenafar (Federação Nacional dos Farmacêuticos) Gilda Almeida o primeiro impacto do fim das unidades próprias do Farmácia Popular (leia texto na página 7) é a restrição no acesso aos medicamentos para a população mais carente.
"Os afetados com certeza serão os mais pobres, que terão mais dificuldade de acesso aos medicamentos", afirmou Gilda, também diretora do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de São Paulo. Segundo ela, o fato de a demanda ser redirecionada para as unidades farmacêuticas da rede municipal de saúde não alivia o problema dos fechamentos. "A população fica mais limitada, ao invés de ampliar o acesso. Depende do horário de funcionamento dos postos de saúde, dos dias que os postos abrem ou não", completou.
Outro ponto criticado pela diretora foi a adoção da medida sem um prévio abastecimento dos estoques municipais. "Antes de sair fechando, deveriam tentar reabastecer os postos de saúde e as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) para garantir um estoque e disponibilizar esse acesso antes. Nas UBSs já estão faltando medicamentos agora, quem dirá depois que fechar", lamentou Gilda.
Ela também contesta o motivo apresentado pelo governo para pôr fim no programa. "Acho que isso é uma desculpa, esse valor de 80% (de gastos estruturais e operacionais) não é verdadeiro. Para mim eles (atual governo) não priorizam a questão social e querem fechar porque isso foi um projeto do outro governo", afirmou.
Já o CNS (Conselho Nacional de Saúde) aponta a redução no número de medicamentos ofertados pelo Aqui Tem Farmácia Popular na comparação dos que são oferecidos nas unidades do Farmácia Popular.
"Mesmo que estes municípios venham a ser contemplados por uma drogaria credenciada, o elenco é diferente. A rede própria (Farmácia Popular) possui 112 itens e as farmácias e drogarias da rede 'Aqui Tem' trabalham com apenas 25 itens. Assim, existem medicamentos indicados para o tratamento da hipertensão, por exemplo, cujo acesso é gratuito pelo usuário, que somente constam do rol da rede própria", afirmou o presidente do CNS, Ronald Ferreira dos Santos, em nota divulgada pela entidade.
O CNS também questiona a falta de discussão e debate com a sociedade e até com os trabalhadores da categoria para saber se a medida seria vantajosa ou não.

Leia Mais